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Sobre computadores velhos, Linux e a Web 2.0

// junho 17th, 2008 // 3 Comments » // Internet, Produtividade, Tecnologia

Há cinco anos a Siemens profetizou que, em 2008, o Linux estaria presente em 20% dos computadores pessoais, ocupando uma honrosa segunda posição no mercado de sistemas operacionais. A estimativa era baseada na premissa de que os sistemas Linux reduziriam custos em até 30% na administração, 80% nas licenças de software e 50% no hardware em relação a sistemas de código proprietário, como o Windows. A percepção que se tinha é que o Linux exigiria menos recursos de hardware, o que viabilizaria um uso mais prologando dos equipamentos e menos gastos com upgrades sucessivos. Hoje, as pesquisas mostram que o Linux (somando a suas centenas de distribuições) não chega a 1% da fatia do bolo! Alguma coisa deu errado…

A verdade é que o Linux tem sérios problemas de identidade, afinal de contas ele quer ser o Windows, que por sua vez quer ser o MacOS! Talvez eu esteja exagerando, mas na ânsia de abalar a supremacia da Microsoft que tem mais de 90% desse mercado, o Linux cada vez mais se parece com o Windows. Essa minha afirmação é confirmada pelas 10 principais distribuições: Ubuntu, openSUSE, Fedora, Debian, Mandriva, PCLinuxOS, MEPIS, KNOPPIX, Slackware, Gentoo e FreeBSD. Todas elas, sem exceção, elegeram os gordos ambientes gráficos KDE e Gnome como seus cartões de visita. Em nome da usabilidade, os sistemas Linux “ganharam” pesados recursos visuais que incluem transparências, transições e efeitos que não servem para nada além de consumir recursos do hardware e acelerar a obsolecência dos equipamentos. A moda agora é mostrar que o Beryl é mais “cool” que o Aero, e assim a saudável concorrência entre Linux e Windows virou um concurso de misses, onde ganha quem tem o rostinho mais bonito. Temas importantes, como estabilidade e desempenho, tornaram-se secundários para dar espaço a discussão de quem tem ícones e cursores mais atraentes. E o que mais me impressiona nessa história toda é que a atual tendência tecnológica e cultural da Internet, freqüentemente chamada de Web 2.0, está marginalizada.
Me parece que os desenvolvedores de sistemas operacionais querem ignorar o movimento da Web 2.0 porque a idéia subjacente da “Web como um plataforma”, com aplicações e dados disponíveis para qualquer sistema, enfraquece seus produtos. Isso é óbvio! Se todas as minhas aplicações e todos os meus dados estão numa grande rede de protocolos padronizados, qual a diferença se uso sistema operacional A ou o B? Nenhuma. Em tese, um velho computador, com 256MB de memória RAM, seria um equipamento suficiente para realizar maioria das atividades da computação pessoal: edição de documentos, comunicação eletrônica, gerenciamento de mídias digitais, etc. Na verdade, há cinco anos, quando a Siemens viajou na maionese sobre o futuro do Linux, as melhores configurações de computadores pessoais tinham 256MB e todo mundo estava feliz.Atualmente, um computador com “apenas” 256MB é considerado obsoleto. A versão mais recente do Ubuntu, que usa o gerenciador de janelas Gnome, recusa qualquer equipamento com menos de 384MB para instalação. O Windows Vista ainda é mais ambicioso e não aceita equipamentos com menos de 512MB. Na prática, ambos os sistemas apresentam desempenho insatisfatório em computadores com menos de 1GB de memória. Esse cenário é um presente para os fabricantes de equipamentos, que têm registrado números extremamente favoráveis mesmo com queda vertiginosa nos preços dos equipamentos. Essa situação me levou ao seguinte questionamento: é possível ter um nível de produtividade satisfatório em um computador com configuração obsoleta? Após alguns dias de pesquisas e ajustes conclui que sim!

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Upvise: sincronize os dados do seu celular com a Web

// maio 25th, 2008 // No Comments » // Dicas, Internet, Produtividade

logo_upvise O Upvise é um serviço de sincronização e colaboração bastante útil para usuários de dispositivos móveis de diversas plataformas: Java, Symbian, Windows Mobile, BlackBerry e Google Android. Ele foi desenvolvido por uma empresa de Singapura chamada Unyverse para o mercado de pequenas e médias empresas, mas tem uma versão pessoal com recursos bem interessantes:

  • Acesso a Wikipedia: Viabiliza o acesso a artigos da Wikipedia em inglês, alemão, francês, italiano e espanhol com uma interface bem agradável.
  • Leitor de RSS: Sincroniza a lista de feeds com a conta na Web, portanto é possível cadastrar um feed pelo celular ou pelo site.
  • Gerenciador de Contatos: Sincroniza a lista de contatos com a conta na Web, portanto é possível cadastrar um feed pelo celular ou pelo site. Pelo celular, é possível importar os contatos já cadastrados no catálogo de endereços nativo. Pelo site, é possível importar arquivos CSV gerados pelo Microsoft Outlook, Yahoo ou GMail.
  • Gerenciador de Anotações: Sincroniza a lista de anotações com a conta na Web, portanto é possível cadastrar uma anotação pelo celular ou pelo site.
  • Lista de Compras: Sincroniza a lista de compras com a conta na Web, portanto é possível cadastrar um item pelo celular ou pelo site.

Avaliação: Testei o Upvise no BlackBerry Curve 8310. Inicialmente, não consegui conectar usando a versão atual disponível para BlackBerry (1.6), tive que baixar uma versão beta. Gostei muito do módulo de acesso a Wikipedia, porém percebi algumas limitações em outros módulos:

  • O leitor de RSS não possui um controle que indique o que já foi lido ou da existência de novos artigos.
  • Na importação do meu catálogo de endereços, o Upvise nomeou meus contatos com o sobrenome no início (formato americano).

Apesar das deficiências atuais, acho que o Upvise é promissor, especialmente pela abordagem adotada pela Unyverse em criar uma plataforma extensível e aberta a desenvolvedores. Qualquer um pode criar uma aplicação móvel para várias plataformas usando a tecnologia do Upvise.